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Indústria 4.0

O conhecimento será o fator determinante nos processos produtivos

Profissionais e organizações precisam estar preparados para os impactos da Quarta Revolução Industrial, a chamada Indústria 4.0. Entre as inovações desta Revolução estão inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nano e biotecnologia, que vão impactar de forma exponencial as relações de produção e consumo nos próximos anos. Neste sentido, postos de trabalho automatizados, redes colaborativas e “nuvem humana” são algumas das tendências.

“Uma coisa é certa, o conhecimento será sempre e cada vez mais o fator determinante nos processos produtivos”, destaca Cesar Sanson, professor na área da Sociologia do Trabalho da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Sanson palestra no Seminário Futura Trends com o tema “Quarta Revolução Industrial - Impactos da Reestruturação Produtiva no Contexto Pós-Industrial”.

Segundo o professor, um número cada vez maior de empregadores utilizará o recurso da “nuvem humana” – trabalhadores que podem ser localizados em qualquer parte do mundo para resolução de problemas e projetos. Entre as vantagens do formato estão a flexibilidade no trabalho, tempo e local da atividade, mas a desvantagem reside no trabalho não regulamentado.

A conectividade produzida pelas inovações aumentará também o protagonismo dos indivíduos, fortalecendo a subjetividade. “A singularidade é que fará diferença na construção da sociabilidade e isso não é necessariamente ruim”, pondera Sanson. Por outro lado, o desenvolvimento de redes colaborativas será um formato cada vez mais forte não apenas nos aspectos produtivos, mas também nas formas de convivência social.

Uma variedade de profissões e praticamente todas as áreas serão afetadas pela Indústria 4.0, alterando também a remuneração, com cargos criativos e cognitivos de altos salários e ocupações manuais de baixos salários. “Tudo indica que teremos um mercado de trabalho cada vez mais fragmentado em segmentos de baixa competência/baixo salário e alta competência/alto salário”, prevê Sanson.

Estudo da Oxfam Martin School, por exemplo, afirma que os efeitos das inovações tecnológicas atingirão 702 profissões. A pesquisa aponta ainda que 47% do emprego total nos Estados Unidos estão em risco. No Brasil, de acordo com estudo da consultoria McKinsey, 50% dos atuais postos de trabalho poderiam ser automatizados, ou 53,7 milhões de um total de 107,3 milhões.

O setor com maior percentual de empregos automatizáveis no País é a indústria, com 69% dos postos. Em seguida, ficam hotelaria e comida (63%) e transporte e armazenamento (61%). Cerca de 60% das profissões poderiam ter ao menos 30% de suas atividades automatizadas, de acordo com essa premissa.

Entre os desafios da Indústria 4.0, o professor alerta principalmente para o aumento da desigualdade, pois há a tendência que a riqueza continue concentrada, uma vez que o domínio das inovações tecnológicas estará e será controlada por um pequeno grupo de empresas.

Diante deste cenário, Sanson entende como urgente discutir a problemática do emprego. “É necessário repensar os mecanismos de inclusão social que não se dará mais pelo assalariamento fordista”. Uma alternativa, propõe o professor, seria incorporar as pessoas na sociedade através da Renda Mínima Universal, ou seja, todos receberem um salário independente da atividade produtiva. “A questão aqui é como criar esse mecanismo de distribuição das riquezas. Será preciso que o mercado financeiro compreenda que até mesmo para ele não interessa uma sociedade que caminha para a barbárie”.